9.2.08

Poeta

Quando é que se forma um poeta?
Aos 6, quando se aprende a escrever? Mais cedo, quando nos imaginamos guerreiros de tempos idos? Ou mais velho, quando o coração é, pela primeira vez, despadaçado? Aos 20? Aos 65 quando já se viu a vida?
Não sei. Como alguém disse "a poesia é fácil, basta juntar letras".
Seja triste o alegre, seja em rima ou em métrica descuidada. É preciso ser Camões ou um ser fragmentado, para se ser um grande poeta?
Será que é aquando do primeiro beijo? Ou quando olhamos a Primavera co olhos de fotógrafo? Ou quando nos morre alguém? Ou quando nos vamos embora, e ficámos sózinhos, com as nossas saudades? Ou por acaso?

É, não sei. Fico-me pela junção de letras. Desconjugadas. Desajeitadas. Quebradas. Em 10. Em 1000. Perdidas. Esquecidas. Sentidas. Esmifradas. Minhas.
Só Minhas!

24.1.08

underconstruction


peço desculpa por qualquer incómodo.
o blog vai vestir a colecção primavera-verão da fátima lopes dentro em breve.



espero que não se importem de ter contratado um primo do Bob, o construtor para me vir dar uma mãozinha.

15.1.08

Saudades

Era Inverno, daqueles rigorosos. O vento, a chuva e o frio fustigavam o Mundo. Não só o meu, mas todo o Mundo em geral.
Mandaram-me para a cama, e eu, do alto dos meus 9 anos de idade, refilei, com peso conta e medida, para estar só mais 5 minutos que fossem, ao quente da lareira. Não, de nada serviu, mandaram-me para a cama, imediatamente!
Cobri a cabeça com os lençóis de flanela (eram aos dinossauros e aos carrinhos, nunca percebi a junção dos 2) e esperei que o sono chegasse. Acho que me pus a pensar, não me lembro ao certo em quê. Sei, que se desenrolava uma bruta de uma histótia com um enredo de cortar à faca do qual já nem eu sabia da meada. A minha Mãe chegou, eu dei um salto na cama quando me puxou os lençóis para lhes fazer a dobra. Perguntou-me se eu já estava a dormir. Disse que não, que estava só a pensar. Perguntou-me em quê e eu disse-lhe que nunca iria perceber, e aos poucos e poucos, enquanto a minha Mãe me dizia que me tinha que levantar cedo na manhã seguinte, eu comecei a chorar.
Arreliou-se, a Mãe, não era nada comum eu chorar, e nesse dia nem caído tinha portanto, não havia mesmo feridas novas.
Perguntou-me o que se passava e porque chorava eu. Disse-lhe que tinha saudade dos Avós. Mas ainda a semana passada tivemos com os Avós, disse-me, com toda a razão. Sim, eu sabia disso, com 9 anos, mas não burra, mas a Avó não tinha feito carne assada com batatas a murro para o nosso almoço.
- O quê?
- A Avó faz sempre carne assada com batatas a murro ao almoço de Domingo, quando lá vamos. Desta vez não fez - a minha Mãe esperava que eu continuasse o meu raciocínio - desta vez não o fez Mãe. Não era a Avó!
A minha Mãe aliviou-se, era só mais um dos meus devaneios, nada que uma noite de sono não curasse. Ajeitou-me o lençóis e deu-me um beijinho na testa.

Hoje, ao 30 anos, a saudade cheira-me a carne assada com batatas a murro. Como a qualquer outra pessoa o amor cheira a rosas, ou a ira a sangue. Para mim é a saudade.

Hoje, domingo, jantarei a dita carne assada com batatas a murro.
Hoje, estou cheia de saudades tuas.